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Cientificamente
Cientificamente, a mente se produz do cérebro e, didaticamente podemos dividi-la em algumas estruturas meramente funcionais como, por exemplo, o raciocínio, a memória, os sentimentos, a personalidade... (são funcionais porque não se localizam anatomicamente neste o naquele lobo, área ou região).

Apesar de dispormos de um raciocínio que funciona comandado pela lógica, não conseguimos detectar a razão lógica pela qual gostamos de algumas coisas e não de outras. Mesmo contrariando a lógica, na maioria das vezes sabemos apenas que gostamos ou não gostamos e ponto.

Como acontece em relação ao mundo objectual, das cores, dos sabores, dos sons, quando vemos a uma pessoa também sentimos gostar dela (ou não). Normalmente não temos a mais pálida idéia porque gostamos, mas como o ser humano tende a recorrer ao raciocínio para explicar tudo, procedemos a uma insólita ginástica mental tentando justificar, pela razão, as atitudes eminentemente subjetivas.

Cientificamente, pelo menos até agora, o máximo que podemos dizer é que a estrutura cerebral reage diante de situações de uma maneira específica, fazendo com que a pessoa experimente a sensação de gostar. O amor, entretanto, parece ultrapassar a sensação de gostar. O amor parece acontecer quando um determinado objeto é apresentado à nossa personalidade e sentimentos aprazíveis são despertados por suas propriedades. A peculiar combinação desses sentimentos acaba produzindo o amor.

Pesquisadores do comportamento humano têm tentado explicar a fisiologia do amor como uma reação muito peculiar do cérebro para determinados estímulos. Com ajuda das técnicas de imagens cerebrais funcionais, foi obtido um mapeamento do cérebro humano de dezessete jovens, comparando dois momentos diferentes: quando olhavam a fotografia da pessoa amada e quando olhavam fotografias de outras pessoas.

Os pesquisadores foram capazes de identificar áreas mais intensamente ativadas nas pessoas apaixonadas. A pesquisa concluiu que as sensações intensas se alojam no centro do cérebro, especificamente em uma área chamada núcleo caudal e na área ventral.

No apaixonado bate mais rápido o coração, a pressão arterial sobe, as pupilas dilatam, a temperatura pode variar bruscamente, o estômago revira e as mãos suam e tremem. São os mesmos sintomas do estresse, geralmente devidos aos efeitos orgânicos da adrenalina, dopamina, cortisol, e outras substâncias envolvidas na ansiedade aguda.

Esses dados, considerando-se o ponto de vista estritamente científico, levaria cientistas a concluírem que o organismo tem um determinado prazo para responder adequadamente ao amor, ou seja, um prazo de validade para uma paixão. Assim como acontece no estresse, depois de algum tempo amando o organismo entraria em colapso.

Parece que a hipótese da validade para uma paixão considera aquele estado emocional e sentimental que aparece no início do relacionamento, que arrebata o apaixonado determinando todas suas ações. Esse estado de paixão exaltada, conforme pensam alguns pesquisadores, com o tempo acaba derivando para um amor mais sereno, sólido e constante, se transforma em algo que turva menos a consciência e gera menos ansiedade ou, de outra forma, acaba esmaecendo de forma estéril.

Essa linha de pensamento nos faz crer, então, que o amor só é possível pela integração dos atributos de dois sujeitos; um oferecendo propriedades e qualidades que serão amáveis quando apreendidas pela afetividade e sensibilidade do outro, e vice-versa. As qualidades e propriedades do objeto amado só terão capacidade de produzir o amor naquele sujeito com sensibilidade suficiente para amar.

Outra peculiaridade do amor que parece verdadeira é em relação ao, digamos, período de carência para surgir o amor, ou seja, a quase impossibilidade do amor ser instantâneo. Isso acaba, de certa forma, desmistificando amor à primeira vista, conforme mostrou uma equipe de cientistas britânicos, para os quais são necessários, em média, 12 meses para alcançar “o verdadeiro amor”.

Digamos que a libido é o carro chefe que mobiliza uma pessoa em direção à outra nos primeiros momentos, a atração é tão forte que pode ser confundida com amor. O correto talvez fosse dizer tesão à primeira vista.

Os especialistas da Universidade de Bath (sul da Inglaterra) estudaram durante seis meses as relações amorosas entre pessoas que se conheceram por um site de namoro, o “match.com”. Segundo o estudo, o amor verdadeiro e profundo só foi observado em casais que mantiveram uma relação amorosa durante uma média de 12 meses.

Para esses especialistas, o amor verdadeiro é uma combinação de três componentes: paixão, intimidade e entrega. Dos 147 casais estudados, 61% deles disseram que tinha altos níveis de intimidade, paixão e entrega. Para a maioria desses 61%, a média de duração da relação amorosa foi de 12 meses. Os outros casais que não se encaixaram no grupo do amor verdadeiro disseram desfrutar de amor companheiro, com altos níveis de intimidade e entrega, mas sem muita paixão.

Nosso trabalho não pretende e nem conseguirá responder as perguntas mais intrigantes sobre o amor. Elas continuarão sem respostas, como por exemplo, por que se ama e por que o mesmo amor pode nos alegrar ou nos tornar infelizes? Pretendemos apenas apontar alguns caminhos para se pensar sobre o assunto.

Maria de Lourdes Borges, autora do livro Os Caminhos Filosóficos do Amor explica três tipos de amor, academicamente obedecendo a uma denominação grega: Eros, Philia e Caritas. O amor Eros é, com certeza, o mais conhecido, o mais cantado em prosa e verso, o de maior sucesso na literatura, no teatro, cinema e nas artes em geral. O amor Eros é também o maior responsável pelos usuários de antidepressivos.

O chamado amor tipo Philia, é mais próximo daquele definido por Aristóteles, percebido como o desejo de partilhar a companhia do outro, principalmente se for através da virtude. É querer o bem do outro. Este amor está atrelado à alegria da existência do outro, é um amor quase altruísta (nenhum amor é totalmente altruísta), fazendo a pessoa feliz porque o amado existe. Temos esse amor em relação aos pais, filhos, irmãos...

Por último, Borges cita o amor tipo Caritas, muito próximo da Philia. É um amor também condicionado ao bem do outro, próximo daquilo que entendemos por humanismo cristão.





Neurofisiologia do Apego (termos técnicos, para pessoas da área)
A Bioquímica da Escolha Amaorosa
Baseado em Sophia (2006) - transcrição
Embora não se possa, decididamente, garantir nem jurar, as pesquisas apontam existirem dois sistemas implicados na escolha e determinação da preferência por um parceiro específico. O chamado sistema dopaminérgico córtico-estriatal e o sistema de neuropeptídeos transmissores. As projeções dopaminérgicas das estruturas corticais para o núcleo accumbens (NA) na porção anterior do corpo estriado são um elemento-chave para o estabelecimento de saliência a estímulos relevantes para a espécie e para a preservação do indivíduo.
Além de um papel relevante em comportamentos motivados e relacionados ao apetite, esse sistema dopaminérgico também está implicado na capacidade de vinculação social. Em estudo realizado com ratazanas macho da pradaria (Microtus orchrogaster), foi comprovado que a dopamina é crucial para a formação do apego, sendo que a administração de haloperidol bloqueou e da apomorfina induziu o estabelecimento da parceria.

Esteróides gonadais e neuropeptídeos transmissores também modulam funções sócio-sexuais, como acasalamento, parceria e parentagem. Porém, em primatas e na espécie humana, a participação dos hormônios sexuais é reduzida, cedendo mais espaço aos neuropeptídeos transmissores: ocitocina, vasopressina e opióides endógenos. A ocitocina e a vasopressina parecem se dividir entre comportamentos próprios do gênero feminino e masculino, atuando, respectivamente, em cada gênero como moduladores da preferência por parceiros. Em outras palavras, são as bases neurobiológicas da fidelidade.38 A beta-endorfina, agindo através dos receptores m opióides localizados nos terminais dendríticos do NA é responsável pela sensação de consumação prazerosa do ato sexual e possivelmente de outros comportamentos instintivos.

Acredita-se que o acidente geográfico responsável pela criação das montanhas rochosas isolou uma população de ratazanas da pradaria, dando origem a uma nova espécie da montanha. Condizente com sua origem comum, as duas espécies guardam muitas semelhanças, porém o comportamento sócio-sexual difere. Em ambos os tipos de roedores, a distribuição dos receptores dopaminérgicos coincide, mas a expressão de receptores de vasopressina V1a nas estruturas telencefálicas é sensivelmente menor na variante da montanha. A ratazana da pradaria atinge a maturidade, acasala e mantém a mesma parceria ao longo da vida. Mesmo ratas jovens dessa espécie, que tenham acidentalmente perdido o parceiro, não estabelecem outro laço conjugal.

A ratazana macho da montanha, ao contrário, tem comportamento sexual promíscuo e vive só. Em um estudo de manipulação genética, foi alterado o gene responsável pela expressão do receptor V1a, aumentando sua expressão nas estruturas telencefálicas. Observou-se uma mudança radical no comportamento desses roedores que, apesar de serem provenientes de uma espécie promíscua, passaram a apresentar preferência por parceiro específico, à semelhança da ratazana da pradaria.

Além da preferência por parceiro, em modelos animais, a ocitocina e a vasopressina se relacionam, respectivamente, à facilitação da interação mãe-filhote e contato físico sem fins sexuais em fêmeas; e proteção agressiva do espaço de copulação, cuidados paternos e estabelecimento de memórias para reconhecimento do grupo social. Em machos da espécie humana, a vasopressina atinge picos de atividade durante o período de excitação sexual. Os neurônios produtores de ocitocina e vasopressina, que estão localizados no núcleo paraventricular do hipotálamo, projetam-se para amídala e NA, onde se estabelece a interface entre os sistemas sócio-sexual e de incentivo-motivação.

Embora os mecanismos dessa interação ainda não tenham sido desvendados, é possível especular sobre ela, uma vez que a combinação de diferentes níveis de atividade dos sistemas de incentivo-motivação (dopamina) e de afiliação (neuropeptídeos) podem explicar muitas das variações observadas no comportamento sexual humano.





Entre a Serotonina e o Encantamento
Maria de Lourdes Borges, no melhor estilo científico, levanta ainda outras hipóteses sobre o amor. Além das especulações metafísicas, ela também discute sobre a duração do amor fisiologicamente determinado. Assim, cita estudos contemporâneos revelando que o êxtase amoroso deve durar cerca de 18 meses a 3 anos, em decorrência de uma substância chamada feniletilamina, que seria ligada ao sentimento de estar gostando de alguém.

Sabe-se também que quando a pessoa está apaixonada, a dopamina, neurotransmissor relacionado à sexualidade e ao prazer, circula em maior quantidade no cérebro. Nessa situação o aumento da adrenalina favorece sensações sexuais e eróticas e ela é balanceada com a serotonina, outro neurotransmissor que diminui um pouco a ação da libido.

Sobre a possível diversidade da natureza da paixão, conforme cita a psiquiatra Carmita Abdo, “pode-se dizer que a paixão é neuro/moral/psicológica, já que está relacionada aos neurotransmissores, aos efeitos dos hormônios, ao psiquismo e à cultura de onde o indivíduo está inserido”.

Uma das características mais valorizadas no amor é o arrebatamento que ele provoca, o entorpecimento do bom senso, a busca de uma relação exclusiva e que domina totalmente as emoções, além de um turbilhão de emoções decorrentes. Porém, os pesquisadores começam agora a se preocupar com o que acontece quando este “sentimento ou emoção levada a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão” (dicionário Aurélio), começa a arrefecer, esmaecer, ir embora. Para muitos, pode significar o fim do relacionamento, principalmente se este for do tipo que não sobrevive sem a paixão. Para outros, quando a paixão se aquieta pode ter início uma relação mais estável, onde o furor e a euforia são substituídos por um encantamento capaz produzir o amor.

Para ilustrar a vocação para o pensamento mágico estimulada pelo amor, está transcrito abaixo uma “simpatia”, uma espécie de benzimento, mandinga, seja lá o que for, colocado à disposição dos amantes não correspondidos pela internet.
Entre a Serotonina e o Encantamento
Maria de Lourdes Borges, no melhor estilo científico, levanta ainda outras hipóteses sobre o amor. Além das especulações metafísicas, ela também discute sobre a duração do amor fisiologicamente determinado. Assim, cita estudos contemporâneos revelando que o êxtase amoroso deve durar cerca de 18 meses a 3 anos, em decorrência de uma substância chamada “feniletilamina”, que seria ligada ao sentimento de estar gostando de alguém.

Sabe-se também que quando a pessoa está apaixonada, a dopamina, neurotransmissor relacionado à sexualidade e ao prazer, circula em maior quantidade no cérebro. Nessa situação o aumento da adrenalina favorece sensações sexuais e eróticas e ela é balanceada com a serotonina, outro neurotransmissor que diminui um pouco a ação da libido.

Sobre a possível diversidade da natureza da paixão, conforme cita a psiquiatra Carmita Abdo, “pode-se dizer que a paixão é neuro/moral/psicológica, já que está relacionada aos neurotransmissores, aos efeitos dos hormônios, ao psiquismo e à cultura de onde o indivíduo está inserido”.

Uma das características mais valorizadas no amor é o arrebatamento que ele provoca, o entorpecimento do bom senso, a busca de uma relação exclusiva e que domina totalmente as emoções, além de mais um turbilhão de emoções decorrentes. Porém, os pesquisadores começam agora a se preocupar com o que acontece quando este “sentimento ou emoção levada a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão” (dicionário Aurélio), começa a arrefecer, esmaecer, ir embora. Para muitos, pode significar o fim do relacionamento, principalmente se este for do tipo que não sobrevive sem a paixão. Para outros, quando a paixão se aquieta pode ter início uma relação mais estável, onde o furor e a euforia são substituídos por um encantamento capaz produzir o amor.

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Temas Livres

Complicações do Amor e Amor Patológico

Incluído em 16/04/2006

O que é o amor? Essa é uma pergunta que vem intrigando a humanidade há séculos e, apesar desse tempo todo, fazer amor continua sendo muito mais fácil que falar dele. Além de parecer impossível prender a idéia de amor dentro dos limites de um conceito, corre-se o risco de se exceder no cientificismo sobre um tema que todos conhecemos, desde sempre, em prosa e verso de forma muito mais sublime e agradável.  

O amor aparece nas mais diversas áreas do pensamento humano, da poesia à imagem funcional cerebral, da mitologia à patologia, da razão para o prazer à motivação para o crime. Afirmações como “isso é amor”, ou seu contrário, “não, isso não pode ser amor” oscilam ao sabor das conveniências da situação. Mas cada um sabe exatamente como está sentindo seu amor, ou lamentando a falta dele, se regozijando ou sofrendo com ele, explicando que tipo de amor é o seu, reclamando reciprocidade, exigindo cumplicidade ou ocultando o amor proibido. Talvez a única certeza que podemos ter em relação ao amor é que sobre ele não temos nenhum controle.

Nietzsche, grande filósofo alemão do século XIX, escreveu que “a maior parte da filosofia foi inventada para acomodar nossos sentimentos às circunstâncias adversas, mas tanto as circunstâncias adversas como nossos pensamentos são efêmeros”, deduzindo, então, que os sentimentos não são. O amor é um desses sentimentos que devem ser tratados pela filosofia, principalmente porque ele parece transcender a realidade.

Acreditava, Nietzsche, que o amor chega quando se tenta desejar o bem em sua totalidade para algo. Dizia que quando amamos juntamos todas as melhores propriedades das coisas mais maravilhosas e perfeitas do mundo, e consideramos similares ao objeto amado. Com afirmações desse tipo, estapafúrdias, concluí-se que o sentimento do amor pode distorcer a representação da realidade, pode afastar a pessoa da realidade compartilhada pela maioria, tal como se tratasse de idéias supervalorizadas ou uma certa obsessão. 

Sempre se distinguiram dois ou mais “tipos” de amor. Platão foi o primeiro a comentar sobre isso, em o "Banquete", definindo o “Amor Autêntico”, como aquele que liberta o indivíduo do sofrimento e conduz sua alma ao banquete divino, em distinção do "Amor Possessivo", o qual persegue o outro como um objeto a devorar, possuir e sufocar. 

Muito tempo depois, esta conceituação foi retomada por Immanuel Kant. Para Kant,  somente o "amor-ação" é o verdadeiro amor altruísta e aceitável, uma vez que se manifesta com preocupação verdadeira e desinteressada pelo bem estar do outro, da pessoa amada. Em contra-partida, falava no “amor-paixão”, egoísta e impossível de se controlar, voltado aos interesses próprios, manifestando o desatino e desprezo pelo outro. Na idéia de Kant, o amor paixão tende a satisfazer muito mais quem ama do que quem é amado (Clement, 1997).

Kant separava o “amor-afeto” e o “amor-paixão”, enaltecendo um pouco mais o primeiro, sugestivo de amor romântico, do que o segundo. Além desses amores dos amantes, para Kant existe ainda o “amor-virtude”. O amor-virtude seria mais ligado ao sentimento de fraternidade, ao preceito de “amar o próximo como a si mesmo”. 

Alguns autores mais recentes acham que a atenção, carinho, zelo e cuidados em relação à pessoa amada devem ser esperados em qualquer relacionamento amoroso saudável e, por saudável, devemos entender o relacionamento que jamais proporcionará sofrimento, seja da pessoa que ama seja de quem é amado (Simon, 1982 e Fisher, 1990).

Alguns dizem que o amor é uma forte inclinação da alma para um objeto ou pessoa. Mas essa afirmação foge do critério científico, já que nesse campo nem se sabe com certeza se a alma existe.

Aliás, pode parecer redundante ou uma empáfia cultural, além de pouco útil, tentar definir esse sentimento universalmente experimentado pelos seres humanos ao longo de toda sua história. Também soa estranho acreditar que o amor, lindo, engrandecedor, poético, lírico e prazeroso, cantado em verso e prosa, não obstante, possa ser fonte de sofrimento. Mas, academicamente, há casos onde esse sentimento torna-se completamente obsessivo, tirano e opressivo, fanático e egocêntrico, produzindo sofrimento.

Quem sofre ou faz sofrer, contudo, não é o amor em si, mas a pessoa que enfoca no sentimento amoroso uma grave alteração psíquica, seja em sua personalidade, seja advinda de seus conflitos e complexos interiores. Não são raras as pessoas que, contrariando o bom senso e a crítica razoável, deixam tudo para viver um grande amor, aumentando perigosamente a possibilidade de serem infelizes, ainda que amando.

Aliás, parece ser tênue a separação entre a paixão e a perda da razão (desrazão), uma vez que a pessoa apaixonada costuma perder alguma porção de sua crítica e da capacidade em avaliar verdadeiramente a realidade. Mas, continuando com a necessidade acadêmica, quando no amor não há controle e se compromete a liberdade de conduta, de modo que esse sentimento passa a ser absoluto e em detrimento de outros interesses e atitudes antes valorizadas, podemos estar diante de um quadro chamado, atualmente, Amor Patológico (Norwood, 1985). Nessa patologia do amor a obsessão em pensar seguidamente na pessoa amada, faz sofrer muito, principalmente diante de tudo aquilo que dificulte, impeça ou atrapalhe a vivência de seu amor.

Embora o tema só esteja sendo mais bem estudado recentemente, existem hipóteses, teorias, observações e pesquisas que merecem ser consideradas. É bastante provável que esse quadro possa estar associado a outros transtornos psiquiátricos, tais como quadros depressivos e ansiosos (Wang, 1995). Pensa-se também que o Amor Patológico possa ocorrer isoladamente em personalidade mais propensas e vulneráveis (Gjerde, 2004), ou ainda em pessoas com extrema baixa auto-estima, (Bogerts, 2005). Em casos mais expressivos o Amor Patológico vem acompanhado de sentimentos invasivos de rejeição, de abandono e de raiva (Donnellan, 2005).

Em psiquiatria as alterações não são binárias, ou seja, não são certas ou erradas, feias ou bonitas, verdadeiras ou falsas. Aqui as situações comportam graduações entre extremos, de forma que podemos ter o amor com prazer, com menos prazer, com incômodo, com um pouco de sofrimento, com muito sofrimento e até o chamado Amor Patológico.

Sobre a possibilidade de o amor ser uma das mais claras manifestações de nosso egoísmo, ou egocentrismo, Nietsche dizia que todos acreditamos querer a pessoa amada e que ao acreditar que a queremos também acreditamos que esta é a solução para todas as nossas necessidades, ou para todas as necessidades de nossos sentimentos.

Essa hipótese pode ser mais bem exemplificada quando se diz que “te amo porque você é uma maravilha (e, evidentemente, quero regalar-me com essa maravilha)”. Obviamente, em seguida existe a colocação que “te necessito, eu te quero”. Ou, conforme podem dizer as pessoas mais apaixonadas; “não posso mais viver sem você”.

Em tudo isso, o ponto de referência continua sendo a pessoa que ama, seu bem estar emocional, sua satisfação em estar perto da pessoa amada, o conforto afetivo de se saber amada. É como se a pessoa amasse primeiro a si mesma e, para atender a esse auto-amor, necessitasse “ter” a pessoa amada para si. 

Eros - o amor platônico
O amor tipo Eros é o amor romântico e platônico, citado inicialmente em O Banquete, de Platão, onde se faz um elogio ao amor que se estrutura na virtude, que se mobiliza pela falta do objeto amado, pelo sofrimento.

Ao invés de platônico, talvez pudéssemos dizer amor socrático, pois, como bem mostra Maria de Lourdes Borges, através de uma fala de Sócrates, esse tipo de amor tem origens mitológicas. Na mitologia grega o amor é filho de Pênia, a pobreza, e Poros, o esperto. O filho Eros, portanto, possui características dos pais, ou seja, “pobre, rude e sujo como sua mãe, vivendo a mendigar de porta em porta” e, por outro lado, “astuto, tramando estratagemas e maquinações”. Dessa forma, sendo astuto, engenhoso e ativo, o amor encontra sempre meios de transcender, até atingir o mundo das idéias, até focar-se no belo, no bom e no justo, real ou imaginário, mas verdadeiro para quem ama.

O amor platônico, tipo Eros, é um amor puro, irracional, que nos desvia para um mundo algo contraditório, algo imprudente e ousado. Este amor nos faz acreditar que amamos a pessoa porque devemos amar, faz acreditar que a pessoa amada tem as qualidades que tem porque tem, e quem ama está surdo e cego para quaisquer argumentos contrários. É um amor anti-social, que restringe a atividade humana quase exclusivamente ao próprio amor, o que faz desse amor o verdadeiro núcleo da vida, que polariza a atividade.

Insatisfação no Amor
Existem, e sempre existirão, pessoas que sofrem por não ter reciprocidade no amor. Mas neste caso não cabe uma abordagem psicopatológica. Trata-se de uma das muitas frustrações da vida humana normal.

O objetivo aqui é focalizar alguns aspectos sobre pessoas que sofrem com e por amor através de atitudes e mecanismos emocionais patológicos, como por exemplo, os sofrimentos causados pela paranóia do ciúme patológico, os crimes passionais, a co-dependência mantida pelo amor doentio, o comportamento obsessivo, e assim por diante.

Pessoas com auto-estima empobrecida podem estar constantemente insatisfeitas com o amor, normalmente por não se sentirem tão correspondidas como desejavam, por não sentirem a reciprocidade esperada, por sentirem a ameaça do abandono, ou outros sentimentos de perda.

Existem ainda relações amorosas claudicantes, onde a pessoa que ama não deseja apenas o outro, mas deseja também o desejo do outro, o sentimento do outro e tudo o que possa estar ocorrendo na intimidade psíquica do outro. Diante da impossibilidade de nos apossarmos do sentimento alheio, a pessoa que ama sofre, pois o outro pode não estar sentindo aquilo que se deseja que sinta, pode não estar pensando justamente aquilo que se deseja que pense.

Na medida em que as pretensões de controle sobre os sentimentos da pessoa amada não são contidas, não são ponderadamente refreadas, surge uma imperiosa inclinação para a posse, para o domínio da pessoa amada. Atitudes assim fogem ao controle e escapam da razão, tendo como veículo de motivação o amor.

Os resumos de um encontro na Unicamp em torno do tema "As novas formas de sofrimento; A psicopatologia do século 21" citam a professora de teoria literária da Universidade de São Paulo, Adélia Bezerra de Menezes, para quem o sofrimento e a paixão (e o amor, creio) caminham lado a lado na literatura.

De fato, tradicionalmente, na literatura amor e paixão são sinônimos de sofrimento. Nos textos literários, principalmente nas canções de amor da Idade Média, é comum observar uma sofrível busca amorosa. No texto de Fedra a definição de amor envolve prazer e sofrimento: “Amor é tudo o que existe de mais doce e mais amargo”.

Neste encontro, sobre novas formas de sofrimento, a escritora Adélia Prado amplia as relações entre a arte, a paixão e o sofrimento, retirando da sabedoria popular o elo entre dor e beleza. “Quantas vezes não ouvimos a frase: é bonito de doer”. O belo também provoca angústia e, muitas vezes, a arte nasce da dor. O sofrimento na arte é representado pela dor que acompanha a criação artística.

Como veremos adiante, tudo isso contribui para tornar imprecisa a fronteira entre o prazer e a dor, entre o desejo e o sofrimento, entre o passional e o patológico. Estudando a dor humana, a teoria psicanalítica de Freud considera que o sofrimento poderia brotar de três fontes: do corpo, do mundo externo e das relações com os outros. Nesta última é onde se coloca o sofrimento do amor.

Evolução do Amor ou mudanças no Comportamento Amoroso?
As mudanças no comportamento amoroso não significam mudanças no sentimento do amor. Os índices crescentes de divórcios e separações, a fugacidade dos relacionamentos, o grande número de pessoas que moram sozinhas, homens e mulheres se casando mais tarde, a diminuição do número de filhos, maior número de famílias mantidas exclusivamente pela mulher (Jablonski, 1998; U. S. Census Bureau, 1998), são constatações que sugerem alguma mudança nas relações amorosas.

Não há dúvidas de que o comportamento amoroso mudou, talvez em decorrência das mudanças ocorridas na sociedade em geral, em decorrência da liberdade sexual ou como conseqüência da crescente preocupação hedonista das pessoas, enfim, a certeza é que o comportamento amoroso atual tem outras características.

O comportamento amoroso sofre também influências da sociedade de consumo, como se vê no excesso de comercialização do amor romântico. Usa-se do amor para vender tudo; de pasta de dentes a jóias, de seguros de vida a cerveja. Não se produzem obras de cinema e novela onde os romances não sejam exaustivamente explorados.

Na mídia, indiferente se ela imita a vida ou vice-versa, especialmente cinema e televisão, o amor costuma ser o tema central da felicidade e, por isso, é presença obrigatória nas grandes produções, quer estejamos na pré-história ou na guerra nas estrelas. Reforçando preconceitos e fornecendo estereótipos, a mídia televisiva, cinematográfica e de imprensa enfatizam uma excessiva preocupação em se obter um relacionamento amoroso como condição primordial para se viver em sociedade.

O amor aparece na conjuntura atual como um bem desejável, uma espécie de roupa indispensável para se viver em sociedade, uma condição de se apresentar socialmente. Se a pessoa não está “amando” alguém, esse insucesso é acompanhado de sentimentos de culpa, baixa da auto-estima, depressão... Veja, por exemplo, seriados como Sex and City.

A procura por um parceiro costuma ser entendida como um destino biologicamente e emocionalmente traçado para o ser humano. Biologicamente atendendo à procriação da espécie e, emocionalmente, em atenção ao prazer que podem obter as pessoas que não querem, não precisam ou não podem mais procriar, mas, não obstante, podem amar. 

Apesar desses dois destinos naturais do ser humano, o que pode ser mais bem pensado é a supervalorização desse determinismo bio-emocional, é questionar se estamos mesmos obrigados a esses grilhões platônicos a ponto de se considerar “impossível a pessoa ser feliz sozinha”.

Outra peculiaridade da mídia é seu tratamento paradoxal em relação à duração do amor. Se existe nas obras literárias e de cinema um apelo para que o amor ardente ou a paixão desatada e insaciável sejam eternos, sugerindo nos finais felizes das estórias em que fulano ficou com cicrana para sempre e perdidamente apaixonados, por outro lado, nas revistas (femininas, masculinas, para adolescentes), a rotatividade dos relacionamentos é a norma. Sem dúvida, é bem verdade que as pessoas deixam se inspirar pela arte e pela mídia, a qual vende padrões de comportamento amoroso.

Em alguns casos o amor acaba sendo sinônimo de sexo, principalmente para as mulheres. Na ânsia de conquistar um lugar ao sol, ou seja, na afoiteza de ter um “amor” para poder participar da sociedade em igualdade de condições, pode ser que as concessões ao objeto “amado” aumentem muito.

Nesse caso, se houve alguma mudança não foi precisamente do amor, mas sim do sexo. Antes o amor era um sólido pré-requisito para que as mulheres se relacionassem sexualmente, agora algumas tentam segurar um relacionamento permitindo sexo nos primeiros encontros, porque “se ela não ceder ao sexo, a outra o faz”.

É assim que o sexo passa a ser o indicador do amor, ou seja, enquanto tiver sexo bom e empolgante, o amor existe. Mas essa falsa idéia não é monopólio das mulheres. Em alguns casais, pode ocorrer de um dos parceiros se queixar de não haver mais sexo, logo, conclui não haver mais amor. Na realidade, o alarme deveria ser disparado quando não há mais beijos calorosos e, é melhor saber; o amor também comporta o sexo, mas não é só o sexo.

Thays Babo e Bernardo Jablonski, psicólogos da PUC-Rio, têm um excelente trabalho intitulado: Folheando o amor contemporâneo nas revistas femininas e masculinas. Aí eles procuram analisar qual é a relação que a mídia pode ter com altos índices de insatisfação nos relacionamentos amorosos, e se ela vende a necessidade de não se estar sozinho.

Os autores constatam que enquanto o foco na imprensa feminina é no sentido de se construir uma relação unindo sexo ao amor, na masculina, busca-se a variedade e excitação, deixando de lado o compromisso ou a constância. Os meios de comunicação veiculam, segundo eles, mensagem de dupla moral, estimulando homens e mulheres a adotarem objetivos de relações francamente distintos, tornando mais difícil um convívio intenso, próximo e íntimo.

Outros estudos (Prusank e Duran, 1997) que incluem revistas masculinas e femininas constataram, por exemplo, que temas como amor, sexo e casamento têm tratamentos diversos na imprensa feminina e masculina. Em ambas, entretanto, predominam artigos voltados para sexo e acusações ao sexo oposto. Nas revistas masculinas, por exemplo, é dito que as mulheres manipulam os relacionamentos usando o sexo e desempenhando papéis de certos estereótipos, nas femininas afirma-se o maior apetite sexual do homem e a superficialidade nos relacionamentos.

Organicamente ou fisiologicamente, dois sistemas neuronais parecem implicados na escolha e determinação da preferência por um parceiro específico. O sistema mediado pela dopamina, o dopaminérgico córtico-estriatal, por um lado, e o sistema de neuropeptídeos transmissores por outro.

Robinson estudou as projeções dopaminérgicas das estruturas corticais para o núcleo accumbens, na porção anterior do corpo estriado, considerando-os elementos fundamentais para preservação da espécie e do indivíduo. Além de um papel relevante em comportamentos motivados e relacionados ao apetite, esse sistema dopaminérgico também está implicado na capacidade de vinculação social (Robinson, 1993).

Outros estudos mostram a relevância da dopamina para a formação do apego, sendo que a administração de haloperidol, que diminui a dopamina, bloqueia o apego, enquanto a apomorfina (que aumenta a dopamina) incrementa o estabelecimento da parceria em ratos (Aragona, 2003).

Há trabalhos expressivos com neuropeptídeos transmissores, como ocitocina, vasopressina e opióides endógenos. A ocitocina e a vasopressina parecem se dividir entre comportamentos próprios do gênero feminino e masculino, atuando, respectivamente, em cada gênero como moduladores da preferência por parceiros, ou seja, como bases neurobiológicas da fidelidade (Wang 2004).

Segundo Sophia, Tavares e Zilberman (2007), além da preferência por parceiro, em modelos animais, a ocitocina e a vasopressina se relacionam, respectivamente, à facilitação da interação mãe-filhote e contato físico sem fins sexuais em fêmeas. Os neurônios produtores de ocitocina e vasopressina, que estão localizados no núcleo paraventricular do hipotálamo, projetam-se para amídala e núcleo accumbens, onde se estabelece os sistemas sócio-sexual e de incentivo-motivação.

Também a beta-endorfina, segundo van Furth, agindo através dos receptores opióides localizados nos terminais dendríticos do núcleo accumbens é responsável pela sensação de consumação prazerosa do ato sexual e possivelmente de outros comportamentos instintivos (van Furth, 1995).

Sofrimento no Amor e Amor Patológico
Algumas vezes circunstâncias patológicas podem causar sofrimento no amor, circunstâncias adversas em um dos amantes tornam o relacionamento muito problemático. Entre essas alterações temos, por exemplo, O Amor Patológico, os Transtornos de Personalidade, Transtornos no Controle dos Impulsos, Transtornos Afetivos, etc. Vejamos cada um deles:

1. - Amor Patológico
Embora se reconheça absolutamente a existência do Amor Patológico, sua caracterização clínica é ainda um pouco imprecisa. Havendo associação do Amor Patológico com algum transtorno psiquiátrico, a gravidade e manutenção deste alimentaria esses relacionamentos tensos e conturbados.

Alguns autores (Donnellan, 2005) descreveram o quadro de Amor Patológico como fenômeno decorrente de transtornos ansiosos e depressivos incidindo sobre personalidades específicas (veja Transtorno Esquizóide e Paranóide da Personalidade). Assim, em determinadas personalidades, diante de um eventual estado de estresse prolongado haveria exagerada liberação adrenérgica, predispondo a pessoa a extrema ansiedade, angústia, insegurança (entre outros fenômenos mais patológicos) favorecendo o surgimento do Amor Patológico.

Como acontece com o dependente químico, que se adere à "droga de escolha" para alívio da angústia, ansiedade, inibição psíquica, busca do prazer, o portador de Amor Patológico acredita que conseguirá tudo isso através do lenitivo proporcionado pelo “parceiro de escolha” (Eglacy, 2006).

No início do sentimento amoroso, ocorre sempre uma agradável sensação de bem estar. Mesmo que a pessoa tenha depressão, a paixão exerce um efeito estimulante capaz de proporcionar alívio da angústia e dos sintomas depressivos. Esse bem estar inicial decorre da liberação de adrenalina desencadeada pela sensação amorosa (Simon, 1982).

Ainda segundo Simon, um estudo realizado na década de 80 no New York State Psychiatric Institute constatou que o amor excessivo pode provocar no Sistema Nervoso Central um estado de euforia similar ao induzido por uso de anfetamina. Segundo esse estudo, o amor produziria uma substância intoxicante: a feniletilamina. Isso explicaria, de certa forma, o forte desejo por chocolate - que contém feniletilamina - entre os portadores de Amor Patológico, quando na ausência do companheiro.

Por essa teoria, seria a privação do objeto amado e não o amor, propriamente dito, a causa dos sintomas desagradáveis do Amor Patológico, pois, o parceiro amado traria sensação de bem estar e alívio da angústia.

E de fato, parece não ser mesmo o sentimento de amor o causador dos malefícios do Amor Patológico, mas sim o medo da pessoa ficar só, o temor de vir a ser abandonada, de não ser valorizada. Isso tudo é que origina a falta de liberdade em relação às próprias condutas, o grande desconforto emocional e submissão obsessiva da pessoa portadora de Amor Patológico.

Portanto, em termos psicológicos parece que o “defeito” da patologia do amor não é o amor em si, propriamente dito, aquele amor “da atenção, carinho, zelo e cuidados em relação à pessoa amada”, citado acima. O Amor Patológico, por sua vez, parece ser descendente direto do medo, do medo egoísta de ficar só, do medo de alguém mais merecedor conquistar a pessoa amada, medo de não ter seu valor reconhecido como gostaria, de não estar recebendo o amor que acha merecido, de vir a ser abandonado (Moss, 1995). Seria, portanto, muito mais um defeito do caráter de quem “acha” que ama demais, do que do sentimento amor.

Dentro da fisiopatologia psíquica o Amor Patológico pode ser considerado como um comportamento obsessivo-compulsivo em relação ao objeto amado. Sophia, Tavares e Zilberman citam uma pesquisa realizada na Itália, que envolveu 20 pessoas que disseram estar amando recentemente (últimos seis meses), 20 com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) não medicadas e 20 normais (controles). Os resultados comprovaram ocorrer alterações neuroquímicas semelhantes no transporte da serotonina (5-HT) em portadores de TOC e de Amor Patológico. Ambos apresentaram índices significativamente inferiores aos indivíduos normais (Sophia, 2007). Outros autores pensam no Amor Patológico como um subtipo de Transtorno de Personalidade, mais precisamente, uma Personalidade Dependente (Ellis, 2002).

De modo geral, o aspecto central no Amor Patológico é o comportamento repetitivo e sem controle de prestar cuidados e atenção (desmedidos ou não) ao objeto amado com a intenção de receber o seu afeto e evitar a perda. Para o diagnóstico é importante que essa atitude “zelosa” excessiva seja mantida mesmo diante de evidências concretas de que está sendo prejudicial para alguém.

Na realidade, parece que a alteração principal é no Ego do próprio paciente (invariavelmente inflado), que experimenta um pavor de sofrer a perda da pessoa amada, um medo gigantesco de não ser correspondido, um sentimento apavorante de ser traído, enfim, parece que a própria pessoa amada é apenas coadjuvante no relacionamento.

Classificação do Amor Patológico
Procurando o Amor Patológico dentro dos critérios e classificações psiquiátricas mais reconhecidas, para que tudo não fique no território da poesia e do romantismo, algumas pesquisas (Bogerts, 2005 – Tarumi, 2004) vêm sabiamente situando o Amor Patológico dentro do espectro dos comportamentos obsessivo-compulsivos, em relação ao parceiro

O componente central na sintomatologia do Amor Patológico é o comportamento caracteristicamente repetitivo e sem controle, obsessivamente dirigido à prestação de cuidados e atenção sufocante à pessoa amada. Há sinais da carência de críticas sobre o comportamento obcecado, notadamente quando essa atitude excessiva é mantida mesmo depois das concretas evidências de estar sendo prejudicial para a sua própria vida, da pessoa amada e/ou para seus familiares. 

É interessante que alguns critérios de diagnóstico para o Amor Patológico se assemelhem aos critérios empregados para o diagnóstico da Dependência ao Álcool e outras drogas, conforme o DSM.IV (American PsychiAtric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 4th ed. Washington, DC, American Psychiatric Association; 1994).

Segundo esse DSM.IV, são sete os critérios para esse diagnóstico, sendo três deles obrigatórios.

Sophia, Tavares e Zilberman comparam os critérios para diagnóstico de dependência química com as características normalmente apresentadas pelos portadores de Amor Patológico, e constatam que pelo menos seis deles são comuns às duas patologias:

1) Sinais e sintomas de abstinência -quando o parceiro está distante (física ou emocionalmente) ou perante ameaça de abandono, podem ocorrer: insônia, taquicardia, tensão muscular, alternando períodos de letargia e intensa atividade.

2) O ato de cuidar do parceiro ocorre em maior quantidade do que o indivíduo gostaria -o indivíduo costuma se queixar de manifestar atenção ao parceiro com maior freqüência ou período mais longo do que pretendia de início.

3) Atitudes para reduzir ou controlar o comportamento patológico são mal-sucedidas -em geral, já ocorreram tentativas frustradas de diminuir ou interromper a atenção despendida ao companheiro.

4) É despendido muito tempo para controlar as atividades do parceiro -a maior parte da energia e do tempo do indivíduo são gastos com atitudes e pensamentos para manter o parceiro sob controle.

5) Abandono de interesses e atividades antes valorizadas - como o indivíduo passa a viver em função dos interesses do parceiro, as atividades propiciadoras da realização pessoal e profissional são deixadas, como cuidado com filhos, atividades profissionais, convívio com colegas. entre outras.

6) 0 Amor Patológico é mantido, apesar dos problemas pessoais e familiares -mesmo consciente dos danos advindos desse comportamento para sua qualidade de vida, persiste a queixa de não conseguir controlar tal conduta.

2. - Transtornos de Personalidade
Os Transtornos de Personalidade, notadamente do tipo Anti-social, Explosiva, Histérica, Paranóide e Personalidade Obsessiva-Compulsiva são condições que comprometem significativamente a qualidade do relacionamento, fazendo sofrer não apenas a pessoa portadora desses transtornos como, igualmente ou mais, a outra que não consegue deixar de amar.

Os Transtornos da Personalidade caracterizam pessoas que não têm uma maneira absolutamente normal de viver (do ponto de vista estatístico e comparando com a média das outras pessoas), mas não chegam a preencher os critérios para um transtorno mental franco. Estas alterações são permanentes, e constituem uma espécie de Ego Patológico (Veja).

2.1 - Personalidade Anti-Social
. Aqui, entre outras características, o descaso pelos sentimentos alheios, a incapacidade de arrependimento e de correção das atitudes erradas, o envolvimento continuado em comportamentos anti-sociais e outros delitos, faz com que a pessoa que os ama sofra continuadamente. Sofrerá mais ainda se, por conta do amor, persistir acreditando que um dia essa pessoa melhorará.

2.2 -Personalidade Explosiva, ou Transtorno Explosivo Intermitente
. Neste caso, a ocorrência de episódios de grande impulsividade, agressividade, ou mesmo de destruição de propriedades deformam o relacionamento amoroso. Nesse transtorno o grau de agressividade do episódio é amplamente desproporcional a qualquer provocação ou desencadeante, fazendo com que a pessoa que convive com o portador desse tipo de personalidade experimente muito medo e insegurança.

2.3 - Personalidade Histérica
. No histérico, o traço prevalente e unanimemente reconhecido é o “histrionismo”. A palavra, que significa teatralidade, vem da Roma antiga, onde histrião era o comediante que representava papeis. O histrionismo do histérico é representado por seu caráter afetado, exagerado, exuberante, como se estivesse fingindo.

A representação do histérico varia de acordo com as expectativas da platéia. É um comportamento caracterizado por colorido dramático, extrovertido e eloqüente, com notável tendência em buscar contínua atenção. Como se deduz, a convivência amorosa com esse tipo de pessoa, altamente manipuladora, é extremamente cansativa e sofrível.

2.4 - Personalidade Paranóide
. Pessoas com Transtorno da Personalidade Paranóide têm como característica um padrão de comportamento de desconfiança e suspeita constante em relação aos outros, de tal modo que atitudes sem intenções maldosas podem ser interpretadas como tal. As pessoas com esse transtorno supõem que os outros os exploram, prejudicam ou enganam, ainda que não exista qualquer evidência apoiando esta idéia.

Eles suspeitam, com base em poucas ou nenhuma evidência que os outros, incluindo a pessoa amada, estão conspirando contra eles e que poderão prejudicá-los subitamente, a qualquer momento e sem qualquer razão. Evidentemente não é necessário dizer como sofrem as pessoas que, infelizmente, deixaram que o amor surgisse por pessoas assim.

2.5 - Personalidade Obsessiva-Compulsiva
. A Personalidade Obsessivo-Compulsiva faz com que a pessoa tenha uma preocupação exagerada com organização, perfeccionismo e controle das coisas. Elas tentam manter um sentimento de controle através da atenção exagerada a regras, detalhes triviais, procedimentos, listas, horários ou formalidades, busca de possíveis erros, chegando a perder a noção do que é, de fato, o ponto mais importante da atividade.

Estas pessoas não percebem que os outros tendem a ficar muito aborrecidos com as inconveniências que resultam de seu comportamento obsessivo. Quando extraviam uma lista de coisas a fazer, por exemplo, passam um período de tempo incomum procurando-a, ao invés de terem iniciativa de recriar a lista perdida. O grau de exigência dessas pessoas para com os outros, de sua intimidade, é muito alto, tão alto ao ponto de causarem grande sofrimento. 

2.6 - Personalidade Borderline
O transtorno denominado Personalidade Borderline é uma das causas de sofrimento no relacionamento amoroso e deve ser diferenciado do Amor Patológico. O Transtorno de Personalidade Borderline é marcado pela instabilidade nos relacionamentos interpessoais, na auto-imagem e nos afetos, além de ocorrer acentuada impulsividade, desde a infância. 

O diferencial entre Amor Patológico e Transtorno de Personalidade Borderline é que este último apresenta alterações comportamentais sempre em várias situações ou em grande variedade de contextos. No portador de Amor Patológico, por sua vez, estes sintomas ocorrem apenas em relação ao companheiro mediante ameaça de ruptura do laço amoroso. O borderline não sabe e não suporta perdas, notadamente abandonos.

O grande diferencial entre as duas patologias é que o portador de Transtorno de Personalidade Borderline apresenta este quadro em uma variedade de contextos, ou seja,  em relação à pessoa amada, havendo pois, normalidade psíquica nas demais áreas da atividade humana.

Transcrevendo nosso texto sobre Borderline, dizemos que “há pessoas, simpáticas e agradáveis aos outros, que se comportam de maneira totalmente diferente com as pessoas de sua intimidade. Para quem não lhes é íntimo, dão a impressão de pessoas compreensivas, carinhosas e muito simpáticas. Na intimidade, entretanto, são os grandes tiranos emocionais. São explosivas, agressivas, intolerantes, irritáveis, com tendência a manipular pessoas.... São pessoas com Transtorno Borderline da Personalidade”.

A patologia borderline, hoje em dia é, sem dúvida, uma problemática psicossocial importante, já que freqüentemente se associam a quadros de drogadição, alcoolismo e violência.

Certos autores comparam ao paciente borderline atual com os histéricos do final do século XIX e princípios do século XX. Consideram as patologias equivalentes e não sem uma boa dose de razão, considerando a histeria dita de caráter.

3. - Transtornos no Controle dos Impulsos
São vários os transtornos onde os impulsos não são controlados. Entre essas alterações destaca-se, especialmente, o Jogo Patológico, o Comportamento Sexual Compulsivo, a Dependência Química,  o Trabalho Compulsivo (Workahollic), Compras Compulsivas. Enfim estes são quadros onde a atividade voluntária está seriamente comprometida. Não é necessário dizer das condições de sofrimento que comprometem a vida de quem ama pessoas com esses transtornos. Veja Comportamento Compulsivo e Transtornos do Espectro Impulsivo-Compulsivo para entender melhor.

4. - Delírio de Ciúme ou Ciúme Patológico
Outra situação clínica grave e que deve ser diferenciada do Amor Patológico é um transtorno delirante persistente, do Tipo Ciúme (veja), e cuja descrição clínica vem sendo realizada há mais de um século por diversos estudiosos. O delírio de ciúmes ocorre principalmente entre homens com alcoolismo crônico para os quais os eventos triviais são interpretados como provas da "veracidade" da deslealdade.

É difícil a distinção entre o Amor Patológico e o Delírio de Ciúme. Em ambos casos há  medo da perda da outra pessoa ou do espaço afetivo ocupado na vida desta, além de correlação com auto-estima rebaixada, conseqüentemente, à sensação de insegurança. No entanto, diferentemente do Amor Patológico, o ciúme patológico aparece como uma preocupação infundada, irracional e irreal. O potencial para atitudes violentas e egoístas no Delírio de Ciúme também é destacado nesse quadro, que desperta importante interesse da psiquiatria forense (Ferreira, 1998).

Para melhor descrever o Delírio de Ciúme, selecionamos aqui a descrição publicada pelo manual norte-americano DSM.IV. O transtorno delirante persistente Tipo Ciumento se aplica quando o tema central do delírio diz respeito a estar sendo traído pelo cônjuge ou parceiro romântico.

Esta crença é injustificada e está baseada em inferências incorretas apoiadas por pequenas “evidências", como por exemplo, roupas em desalinho ou manchas nos lençóis, que são colecionadas e usadas para justificar o delírio. O delirante geralmente confronta seu cônjuge ou parceiro e tenta intervir na infidelidade imaginada, ora restringindo a autonomia do cônjuge ou parceiro, ora seguindo-o em segredo, investigando o amante imaginário ou agredindo o parceiro.

5. - Delírio Erotomaníaco
O delírio do Tipo Erotomania, também faz parte dos Transtornos Delirantes Persistentes, e se aplica quando o tema central do delírio diz respeito a ser amado por outra pessoa. O erotomaníaco está convencido que alguém, geralmente sem nenhum vínculo pessoal com o delirante e de posição superior, o ama (Veja).

Já no Amor Patológico ocorre uma oscilação entre certeza e incerteza de que o parceiro atual (e concreto) esteja amando-o. O delírio freqüentemente envolve um amor romântico e união espiritual idealizada, ao invés de atração sexual. A pessoa sobre a qual esta convicção delirante é dirigida geralmente está em uma posição social superior, como por exemplo, uma pessoa famosa, um superior no trabalho, algum artista, ator, político, etc.

Algumas das pessoas com o delírio Tipo Erotomaníaco, particularmente os homens, entram em conflito com a lei por causa de seus esforços no sentido de alcançar o objeto de seu delírio, ou seja, o assédio da pessoa que supostamente ama-os, ou as tentativas de “salvar” essas pessoas de algum perigo imaginário.

6. – Transtornos Afetivos
Nesse caso temos os transtornos depressivos e os eufóricos (bipolares). Na depressão, quando aguda e bem definida (começou em uma época definida), a pessoa tem um comportamento apático, desinteressado e, por causa da baixa auto-estima, está sempre insatisfeita com as manifestações de amor que recebe. Considera sempre que não está sendo correspondida o tanto que gostaria, sofre (e faz sofrer) por acreditar que o fato do(a) outro(a) deixá-la ou substituí-la é apenas uma questão de tempo.

Nos casos onde a depressão é crônica e duradoura (Distimia), a característica principal é um constante mau humor, difícil de se conviver.

Na Euforia (contrário de depressão), também conhecida como Mania, a eloqüência, megalomania, desinibição social, agitação, insônia e todos os demais sintomas de expansão patológica do ego tornam a vida a dois insuportável. Resumindo, causa sofrimento amar pessoas cuja tonalidade afetiva proporciona depressão ou euforia.

As Pessoas que Sofrem
Como esses transtornos psíquicos, muitos outros podem comprometer a felicidade e a qualidade da vida de relação. O sofrimento é significativamente aumentado pela consciência que tem a pessoa que sofre de seu problema, ou seja, ela sabe que não deveria estar amando a pessoa problemática, mas, ao mesmo tempo, não consegue deixá-la, ou deixar de amá-la.

Diante da impotência de deixar quem a faz sofrer, a pessoa recorre a alguns mecanismos de defesa do Ego, principalmente a negação, onde o problema é sistematicamente negado. Ou ainda à racionalização, onde passa a argumentar que a pessoa irá, sem dúvida, melhorar com o amor e carinho que recebe, que fora os momentos de crise a pessoa é ótima, etc. No fundo essa pessoa sofredora sabe que nenhum dos dois mecanismos de defesa são verdadeiros, mas alivia a sensação de culpa ou impotência acreditar neles.

Em muitos casos, quem vive com a pessoa portadora de Amor Patológico ou outro transtorno capaz de produzir sofrimento e não consegue desvencilhar-se desse relacionamento, é também portadora de alguma dificuldade emocional. Trata-se da chamada Codependência (veja).

Codependência é um transtorno emocional definido e conceituado por volta das décadas de 70 e 80, relacionada aos familiares dos dependentes químicos, alcoolistas e mesmo com transtornos de jogo patológico ou outros problemas sérios da personalidade.

Codependentes são pessoas que vivem em função da pessoa problemática, fazendo desta tutela obsessiva a razão de suas vidas, sentindo-se úteis e com objetivos apenas quando estão interagindo com a pessoa problemática. As pessoas codependentes têm baixa auto-estima, intensos sentimentos de culpa e não conseguem se desvencilhar do relacionamento complicado.

O que parece ficar claro é que pessoas codependentes vivem tentando ajudar a outra pessoa, esquecendo, na maior parte do tempo, de cuidar de sua própria vida, auto-anulando sua própria pessoa em função do outro e dos comportamentos insanos desse outro. Essa atitude patológica costuma acometer mães (e pais), esposas (e maridos) e namoradas(os) de portadores de Amor Patológico, Alcoolistas, Dependentes Químicos, Jogadores Compulsivos, alguns Sociopatas, etc.

O Amor Patológico, por sua vez, é predominante em mulheres e se caracteriza pela excessiva desconfiança e possessividade, em geral decorrentes de baixa auto-estima.

Homens ou Mulheres sofrem mais de Amor Patológico?
Talvez o Amor Patológico seja particularmente mais prevalente na população feminina porque as queixas são mais referidas pelas mulheres. As mulheres são mais sinceras em queixarem “que sofrem com o problema”, que são “obcecadas" ou "viciadas" pelo parceiro, ou que deixam de viver a própria vida para "viver pelo outro". Além disso, as mulheres costumam dar maior ênfase aos comportamentos amorosos, tais como as atividades mútuas, as ocasiões especiais, presentes, abnegação e sacrifícios pelo relacionamento.

Atualmente existem grupos de auto-ajuda trabalhando nesse tema, como é o caso do site  Mulheres que Amam Demais Anônimas (MADA), basicamente excluindo quaisquer participações masculinas.

A proposta desse grupo MADA, baseada em livro do mesmo nome, é a recuperação para mulheres que têm como objetivo primordial se recuperar da dependência de relacionamentos escravizantes, destrutivos, aprendendo a se relacionar de forma saudável consigo mesma e com os outros.

O grupo MADA através de seu site transcreve aquilo que pode ser considerado as Características de Uma Mulher que Ama Demais. Em nosso caso, poderia ser aplicado aos portadores do Amor Patológico.

Segundo Robin Norwood, o grupo MADA recomenda algumas características da mulher que ama demais:

1. Vem de um lar desajustado, em que suas necessidades emocionais não foram satisfeitas.

2. Como não recebeu um mínimo de atenção, tenta suprir essa necessidade insatisfeita através de outra pessoa, tornando-se superatenciosa, principalmente com homens aparentemente carentes.

3. Como não pode transformar seus pais nas pessoas atenciosas, amáveis e afetuosas de que precisava, reage fortemente ao tipo de homem familiar, porém inacessível, o qual tenta, transformar através de seu amor.

4. Com medo de ser abandonada, faz qualquer coisa para impedir o fim do relacionamento.

5. Quase nada é problema, toma muito tempo ou mesmo custa demais, se for para "ajudar" o homem com quem esta envolvida.

6. Habituada à falta de amor em relacionamentos pessoais, está disposta a ter paciência, esperança, tentando agradar cada vez mais.

7. Está disposta a arcar com mais de 50% da responsabilidade, da culpa e das falhas em qualquer relacionamento.

8. Sua auto-estima está criticamente baixa, e no fundo não acredita que mereça ser feliz. Ao contrário, acredita que deve conquistar o direito de desfrutar a vida.

9. Como experimentou pouca segurança na infância, tem uma necessidade desesperadora de controlar seus homens e seus relacionamentos. Mascara seus esforços para controlar pessoas e situações, mostrando-se "prestativa".

10. Esta muito mais em contato com o sonho de como o relacionamento poderia ser, do que com a realidade da situação.

11. Tem tendência psicológica, e com freqüência, bioquímica a se tornar dependente de drogas, álcool e/ou certos tipos de alimento, principalmente doces.

12. Ao ser atraída por pessoas com problemas que precisam de solução, ou ao se envolver em situações caóticas, incertas e dolorosas emocionalmente, evita concentrar a responsabilidade em si própria.

13. Tende a ter momentos de depressão, e tenta preveni-los através da agitação criada por um relacionamento instável.

14. Não tem atração por homens gentis, estáveis, seguros e que estão interessados nela. Acha que esses homens "agradáveis" são enfadonhos.

 

 

para referir:
Ballone GJ - Complicações do Amor, in. PsiqWeb, Internet - disponível em http://www.psiqweb.med.br/, revisto em 2007



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