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Neuroses
Incluído em 24/02/2005
O que é Neurose?
A palavra "neurótico", da maneira como costuma ser usada hoje,
tem sentido impróprio e pode ser ofensivo ou pejorativo. Pessoas que
não entendem nada dessa parte da medicina podem usar a palavra "neurose"
como sinônimo de "loucura". Mas isso não é verdade,
de forma alguma.
Trata-se de uma reação exagerada do sistema nervoso em relação
a uma experiência vivida (Reação Vivencial). Neurose é
uma maneira da pessoa SER e de reagir à vida. A pessoa É neurótica
e não ESTÁ neurótica.
Essa maneira de ser neurótica significa que a pessoa reage à vida
através de reações vivenciais não normais; seja
no sentido dessas reações serem desproporcionais, seja pelo fato
de serem muito duradouras, seja pelo fato delas existirem mesmo que não
exista uma causa vivencial aparente.
Essa maneira exagerada de reagir leva a pessoa neurótica a adotar uma
serie de comportamentos (evita lugares, faz atitudes para alívio da ansiedade...
etc).
O neurótico, tem plena consciência do seu problema e, muitas vezes,
sente-se impotente para modificá-lo.
Exemplos:
1 - Diante de um compromisso social a pessoa neurótica reage com muita
ansiedade, mais que a maioria das pessoas submetidas à mesma situação
(desproporcional). Diante desse mesmo compromisso social a pessoa começa
a ficar muito ansiosa uma senana antes (muito duradoura) ou, finalmente, a pessoa
fica ansiosa só de imaginar que terá um compromisso social (sem
causa aparente).
2 - Num determinado ambiente (ônibus, elevador, avião, em meio
a multidão, etc) a pessoa neurótica começa a passar mal,
achando que vai acontecer alguma coisa (desproporcional). Ou começa a
passar mal só de saber que terá de enfrentar a tal situação
(sem causa aparente).
O que não é Neurose?
Como vimos, a Neurose é uma doença, uma doença emocional,
afetiva e da personalidade. Logo, Neurose não é:
- Falta de Homem (ou de Mulher)
- Falta de pensamento positivo
- Cabeça ou mente fraca
- Falta de vontade
- Falta de ter o que fazer
- Ruindade ou maldade
- Senvergonhice
- Influência espiritual
- Mal-olhado ou encosto
- Coisa "de sua cabeça" (isso é caspa)
- Falta de ter passado por dificuldades de verdade (isso é azar)
- Por nunca ter passado dificuldades
- Falta de uma boa surra
- A "gente é que permite"
- Conseqüência de ter tido de tudo na vida
- Conseqüência de não ter tido nada na vida
- Porque o pai brigava com a mãe
- Porque o pai separou da mãe
- Porque o pai era enérgico
- Porque o pai era omisso
- Porque não teve pai
- Porque a mãe era protetora
- Porque a mãe era omissa
- Porque não tinha mãe
- Porque soube que a mãe não era essa
- Porque "forçou demais a cabeça"
- Porque nunca "teve que forçar a cabeça"
- Porque a menstruação subiu para a cabeça
- Finalmente, porque misturou manga com leite...
A Neurose é uma Doença Mental?
Não, a Neurose não é sonônimo de loucura, assim como
também, a pessoa neurótica não apresenta nenhum comprometimento
de sua inteligência, nem de contato com a realidade. Seus sentimentos
também são normais. Eles amam, sentem alegria, tristeza, raiva,
etc., como qualquer pessoa.
A diferença entre uma pessoa neurótica e uma normal é em
relação à quantidade de emoções e sentimentos
e não quanto à qualidade deles. Os neuróticos ficam mais
ansiosos, mais angustiados, mais deprimidos, mais sugestionáveis, mais
teatrais, mais impressionados, mais preocupados, com mais medo, enfim, eles
têm as mesmas emoções que todos nós temos, porém,
exageradamente.
A Neurose, portanto, não é uma doença mental é,
sobretudo, uma doença da personalidade.
Para entender melhor, estude:
Teorias
da Personalidade
Transtornos
da Personalidade
Tipos de Neuroses
De modo geral, e didaticamente, as neuroses costumam ser classificadas através
de seu sintoma mais proeminente. Isso não significa que todas elas possam
ter uma série de sintomas comuns (todas têm ansiedade, por exemplo).
Um dos tipos mais comuns, hoje em dia, é aquele cujo sintoma proeminente
é a fobia (medo patológico), juntamente com ansiedade.
O Transtorno
Fóbico-Ansioso é uma neurose que se caracteriza, exatamente,
pela prevalência da Fobia entre outros sintomas de ansiedade, ou seja,
um medo anormal, desproporcional e persistente diante de um objeto ou situação
específica.
Dentro dos quadros fóbicos-ansiosos destacam-se três tipos:
1 - Agorafobia (medo fóbico de lugares específicos);
2 - Fobia Social (medo de ser avaliado por outras pessoas) e;
3 - Fobia Específica (medo fóbido de determinados objetos).
O Transtorno
Ansioso é outro tipo de Neurose.
Os padrões individuais de Ansiedade variam amplamente. Algumas pessoas
com ansiedade neurótica podem ter sintomas cardiovasculares, tais como
palpitações, sudorese ou opressão no peito, outros manifestam
sintomas gastrointestinais como náuseas, vômito, diarréia
ou vazio no estômago, outros ainda apresentam mal-estar respiratório
ou predomínio de tensão muscular exagerada, do tipo espasmo, torcicolo
e lombalgia. Enfim, os sintomas físicos da ansiedade variam de pessoa
para pessoa. Psicologicamente a Ansiedade pode monopolizar as atividades psíquicas
e comprometer, desde a atenção e memória, até a
interpretação fiel da realidade.
Os Transtornos
Histriônicos (Histéricos) são neuroses onde o sintoma
principal é a teatralidade, sugestionabilidade, necessidade de atenção
constante e manipulação emocional das pessoas ao seu redor. O
neurótico histérico pode desmaiar, ficar paralítico, sem
fala, trêmulo, e desempenhar todo tipo de papel de doente. Há grande
variedade nesse tipo de neurose.
Os Transtornos
do Espectro Obsessivos-Compulsivos reúnem neuroses cujo sintoma principal
é a incapacidade de controlar manias e rituais, assim como determinados
pensamentos desagradáveis e absurdos.
Incluimos a Distimia
nessa classificação como representante da neurose cujo sintoma
mais proeminente é a tendência a reagir depressivamente à
vida, ou seja, é a pessoa com tendência à longos períodos
de depressão.
A Neurose tem cura?
Antigamente se pensava que a neurose era sempre incurável e que se convertia,
com o tempo, numa doença crônica e invalidante. Hoje em dia, felizmente,
as pessoas que sofrem deste transtorno podem recuperar-se por completo e lavar
uma vida normal como qualquer outra pessoa.
A questão da cura das neuroses, que é uma doença da personalidade,
deve ser comparada à diabetes, pressão alta, miopia, reumatismo,
alergia, asma e uma grande série de outras doenças. As pessoas
portadoras dessas doenças, assim como os neuróticos, teriam uma
péssima qualidade (e quantidade) de vida se não fossem os recursos
da medicina.
A rigor, para as neuroses, recomenda-se um acompanhamento psicológico
adequado, associado ao tratamento médico (com medicamentos) quando necessário,
juntamente com a cooperação apropriada do próprio paciente
e da sua família. Com essa conduta, felizmente, a grande maioria das
neuroses podem ser perfeitamente controlada, proporcionando ao paciente uma
melhor qualidade de vida e inegável bem estar.
Em casos mais graves a medicação é inevitável, normalmente
quando há componentes depressivos e ansiosos graves.
A família pode causar a neurose?
Sim e não! Essa resposta depende da família e do neurótico.
Para entender melhor essa questão, vamos comparar a neurose com a alergia.
Vamos considerar uma pessoa com rinite alérgica e que, ao entrar em contacto
com um ambiente embolorado, manifesta sua rinite. Esse exemplo é muito
didático.
Perguntamos: o fungo do bolor (a família), é a causa da rinite
alérgica (neurose)???
Para haver a rinite alérgica é preciso 2 coisas; que a pessoa
seja alérgica previamente, e do fungo. Entretanto, para essa, para essa
crise de rinite, precisamente, o fungo foi indispensável. Mas isso não
quer dizer que a pessoa não possa, um dia qualquer, ter a rinite sem
o fungo, assim como, não ter a rinite apesar do fungo. Dependerá
de como está sua imunidade (analogamente, seu humor ou afetividade) naquele
dia.
O mais correto, agora, é dizer que o fungo (família) pode desencadear,
agravar ou proporcionar condições para uma crise alérgica
aguda (uma reação neurótica), mas não é a
causa exclusiva.
Da mesma forma, podemos dizer que para desenvolver uma neurose é preciso
uma certa vulnerabilidade emocional e, para que esta se manifeste em sua plenitude,
é preciso uma vivência desencadeadora.
A Neurose é herdada?
Em primeiro lugar convém fazer uma distinção entre o
que é genético, o que é constitucional e o que é
hereditário:
1) Se uma doença é Genética, isso quer dizer que antes
de nascer uma pessoa pode ter um gene ou uma programação que
a conduza em direção à doença, mas em forma de
probabilidade e não de certeza.
Cada um de nós carrega genes de diferentes doenças mas não
as desenvolvemos obrigatoriamente. Um exemplo claro disso é o câncer
de pulmão, identificado em genes de pessoas sadias não fumantes.
Uma pessoa que tenha este gene teria uma predisposição genética
a desenvolver a doença, mas isso não quer dizer que esta pessoa
vá desenvolvê-la obrigatoriamente. De fato, se não fumar,
levar uma vida não estressante, enfim, se não cumprir os requisitos
necessários ao desenvolvimento da doença não terá
câncer de pulmão.
2) É Constitucional a doença que faz parte da pessoa, sem necessariamente
ter sido genética ou hereditária.
Constitucional significa ter nascido assim ou ter adquirido para sempre. Se
a pessoa nasceu surda, essa surdez é constitucional, sem necessidade
de ser genética.
As marcas de vacina que alguns têm nos braços, podemos dizer
que são constitucionais (fazem parte da pessoa) mas não foram
herdadas. Antes disso, foram adquiridas em tenra idade e não desapareceram
mais.
3) Uma doença Hereditária é uma doença genética
que se transmitirá, com certeza, de uma geração a outra
e, além disso, terá uma porcentagem fixa e calculada de novos
casos da doença na geração seguinte.
Um exemplo de uma doença hereditária é a Coréia
de Huntington. Esta doença crônica supõe um degeneração
corporal e mental que se passa de uma geração a outra, desenvolvendo-se
em 50% dos filhos. Quer dizer que um paciente de Huntingtom que decide ter
um filho sabe, de antemão, que a cada dois filhos que nascerem, no
mínimo um desenvolverá a enfermidade.
Até o momento, podemos considerar as Neuroses de natureza Constitucional
e, algumas vezes, Genética.
Qual a importância social das neuroses?
As neuroses são, indubitavelmente, o contingente mais importante de pacientes
que procuram ajuda de psicólogos e psiquiatras. Seu quadro é extremamente
variado, indo dos problemas psicossomáticos, sexuais, depressões,
angústia, insôniao, etc, etc.
As neuroses interferem e estão presentes também nos problemas
de aprendizagem, no desenvolvimento da personalidade, no fracasso escolar, nos
conflitos failiares e nas crisis conjugais.
A psiquiatria considera as neuroses transtornos menores, em relação
às psicoses. Isso se deve ao fato do neurótico conservar, de alguma
maneira, critérios de avaliação da realidad semelhantes
às pessoas consideradas normais.
Entretanto, ao falarmos em “transtorno menor”, não estamos
nos referindo a algum criterio de prognóstico. O mais comum é
que a neurose tenha um curso crônico e, não tratada, pode até
levar a algum grau de incapacidade social e/ou profissional.
para referir:
Ballone GJ - Perguntas mais freqüentes sobre Neuroses - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005

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